Talvez fossem outras as vozes
que me pediam para voltar

Não era de pedra a travessia

Nem fria a estrada que se
abria

Não voltei sozinha

Sua voz se entrelaçava ao meu
tronco

Suas raízes se misturavam às
minhas

Meu coração batia com a força
da onda que se levanta

Se arremessa

E recomeça

Na arrebentação inquieta do
mar

Suas mãos ofertaram abrigo

Embalaram meus versos na rosa
dos signos

Me batizaram no vento dos
sentidos

Com elas

E somente assim

Eu segui

Nasceram coradas e com asas suas
palavras semeadas em mim

Melina Rosa

Melina é goiana e faz poesia para se manter viva no meio de sua travessia por São Paulo. Na cidade em que encontrou o trabalho e seu amor, continua à procura de palavras que seriam suas.